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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Por quê Deus permitiu a escravidão e as leis sobre isso

    Há 125 anos, no dia 13 de maio de 1888, a princesa Isabel de Bragança promulgou a Lei Áurea, colocando em liberdade milhares de escravos, pondo fim a um dos períodos "mais negros" da história brasileira e dando liberdade a um dos povos que moldou nossa cultura.
Pirâmide social egípcia: veja que os
escravos estão na base.
  Durante toda a história a escravidão foi praticada por vários povos. Em todos eles eram considerados classe inferior, ficando abaixo na pirâmide social, não sendo considerados cidadãos ou parte da sociedade. Eram prisioneiros de guerra ou pessoas que perdiam tudo por contraírem dívidas e eram obrigados a trabalhar até o fim da vida.
    E um dos povos que praticava a escravidão eram os hebreus, ela é praticada desde os tempos do patriarca Abraão (GN 12:5). Em diversas passagens a Bíblia mostra o povo de Deus e sua relação com seus escravos gerando uma pergunta que muitas pessoas fazem: por quê Deus, que sempre clamou pela liberdade, permitiu que seu povo escravizasse os outros? É isso que eu vou responder nesse estudo, demonstrando que a escravidão não é culpa divina.
    Para entendermos isso devemos saber o que é a escravidão: é a prática social em que um ser humano assume o direito sobre outro por meio da força. Sendo assim, o dono tem total condições sobre o escravo como direito a castigá-lo, vendê-lo e até mesmo matá-lo em casos de crimes extremos. Durante as Grandes Navegações a Teologia católica que criou a servidão negra e o silêncio protestante levaram a escravidão africana.
    O Senhor sempre propôs a liberdade. Então por quê seu povo tinha escravos? Temos que entender que a vontade de Deus vem de algo que os teólogos chamam de "revelação progressiva", ou seja, Deus revela a sua vontade de acordo com a capacidade do homem em entender sua vontade, por isso permitiu a escravidão, a poligamia e o divórcio. Além do mais, o próprio povo foi escravo no Egito e isso tirava a ideia de uma sociedade livre.
    Se observarmos a Bíblia vemos que Deus permitiu a escravidão, mas impôs limites para a servidão. Na Lei mosaica vemos princípios básicos. O primeiro: não havia servidão eterna. A Bíblia diz: "Estes são os estatutos que lhes proporás: Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas, ao sétimo, sairá forro, de graça. Se entrou só com o seu corpo, só com o seu corpo sairá; se ele era homem casado, sairá sua mulher com ele. Se seu senhor lhe houver dado uma mulher, e ela lhe houver dado filhos ou filhas, a mulher e seus filhos serão de seu senhor, e ele sairá com seu corpo" (ÊX 21:1-4).  Após seis anos eles eram libertados como forma de pagamento do tempo em que serviu. O senhor não podia obrigá-los a ficar.
    Se o escravo quisesse servir a seu senhor, este tinha que fazer o seguinte: "Mas, se aquele servo expressamente disser: Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos não quero sair forro, então, seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao postigo, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e o servirá para sempre" (ÊX 21:6,7). Veja que o Senhor deixou mandamento para caso o escravo fosse ficar pra sempre com o seu senhor. Duas coisas são dignas de nota: primeiro, esses são os primeiros mandamentos da lei, demonstrando que isso era importante; segundo, o escravo só podia servir para sempre se quisesse.
Escravos em navio negreiro no período imperial
    Mais abaixo está escrito sobre a punição aos escravos. Vejam só: "Se alguém ferir a seu servo ou a sua serva com vara, e morrerem debaixo da sua mão, certamente será castigado; porém, se ficarem vivos por um ou dois dias, não será castigado, porque é seu dinheiro" (ÊX 21:20,21). Ao lermos essa passagem vemos que se o patrão exagerasse no castigo e o escravo morresse, ele deveria ser punido, mas, caso ao contrário, se morresse depois não seria castigado, pois poderia ser que a morte não fosse em decorrência do castigo.
    Mais a frente o texto diz: "E, quando alguém ferir o olho do seu servo ou o olho da sua serva e o danificar, o deixará ir forro pelo seu olho. E, se tirar o dente do seu servo ou o dente da sua serva, o deixará ir forro pelo seu dente" (ÊX 21:26,27). Quando o senhor feria o escravo de forma que este ficasse inválido, deveria deixá-lo ir embora em paz.
    O profeta Jeremias condenou a prática desleal da escravidão. Após Zedequias mandar o povo soltar os escravos por causa do ano da liberdade, o povo obedeceu e soltou, mas depois mudou de ideia e voltou atrás, levando Deus a ira. Ele proclama a condenação, de forma que até o rei Zedequias estava na condenação, demonstrando que ele estava envolvido. (JR 34:8-22). Vemos que se eles desobedecessem, como desobedeceram, seriam condenados por Deus.
    Na era cristã, temos o exemplo de Onésimo e Filemom. Onésimo fugiu de seu senhor e, tendo contato com Paulo, se converteu. O apóstolo o manda de volta, pedindo a Filemom para que perdoasse o ex-escravo e tratasse ele como irmão em Cristo. O amor cristão está acima de qualquer escravidão. Quem prega a escravidão está pregando contra a Bíblia. (Ler livro de Filemom).
    Pois bem, Deus condena a escravidão, embora tenha permitido pela maldade humana. Ele mesmo disse: "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres" (JO 8:36), demonstrando que, em Cristo, somos livres espiritualmente e fisicamente. Que possamos pregar contra esse mal e ver que Deus faz tudo de acordo com o entendimento do homem. Sejamos, pois, livres. Shalom a todos.


Bibliografia:
http://imperiobrazil.blogspot.com.br/2012/02/escravidao-e-escravatura.html
http://www.coljxxiii.com.br/webquest/caio/caio.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Escravid%C3%A3o 
BERGEN, Robert, Bíblia de Estudo Defesa da Fé, Rio de Janeiro, CPAD, 2010.
    

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